sábado, 18 de agosto de 2012

Em quem devo me inspirar?

A vida em si é o bastante.
Ver as pessoas ao redor – cadáveres ambulantes – é inspiração suficiente, não para ir com elas, não para seguir seus caminhos, mas para encontrar uma pequena trilha, a sua própria, se você quiser estar vivo. Eu nunca tive um mestre, e eu sou feliz por nunca ter encontrado algum. Em minhas vidas passadas eu estive com alguns poucos mestres vivos. Eles eram pessoas lindas, amáveis, mas uma coisa ficou clara o tempo todo para mim – que ninguém poderia ser uma fonte de inspiração para mim, porqueessa palavra 'inspiração' é perigosa. Primeiro é inspiração, depois se torna seguimento, depois se torna imitação – e você acaba sendo uma cópia carbono. Não há necessidade alguma de ser inspirado por alguém.
E não é apenas não ser necessário, é perigoso também. Apenas observando, eu tenho visto... cada indivíduo é único. Ele não pode seguir ninguém mais. Ele pode tentar – milhões tem tentado por milhares de anos. Milhões são cristãos, milhões são hindus, milhões são budistas. O queeles estão fazendo? A inspiração de Goutama Buda fez milhões de pessoas budistase agora eles estão tentando seguir seus passos. E eles não estão chegando a lugar algum; eles não conseguem. Você não é um Goutama Buda e o rastro dele não se ajusta a você, nem os sapatos dele servem para você; você terá que encontrar o tamanho exato de sapato que lhe sirva. Ele é belo, mas isso não significa que você tenha que se tornar como ele. E este é o significado da palavra 'inspiração'. Ela significa que você está tão influenciado que o homem se tornou o seu ideal, que você gostaria de ser como ele. Isso tem confundido toda a humanidade. A inspiração tem sido um infortúnio, não uma bênção. Eu gostaria que você aprendesse em todafonte, para apreciar todo ser singular que encontrar. Mas jamais siga alguém e nunca tente se tornar exatamente como alguma outra pessoa; o que não é permitido pela existência. Você somente pode ser você mesmo. E isto é um fenômeno estranho: as pessoas que se tornaram uma inspiração para milhões de outras pessoas, elas próprias nunca se inspiraram em ninguém – mas ninguém observa esse fato. Goutama Buda nunca se inspirou em alguém, e isto é o que fez dele uma grande fonte de inspiração. Sócrates não se inspirou em alguém, mas isso é o que o fez tão singular. Todas essas pessoas, as quais você considera como fontes de inspiração, nunca foram inspiradas por outros. Isto é algo muito fundamental para ser compreendido. Sim, elas aprenderam; elas tentaram compreender todos os tipos de pessoas. Elas amaram pessoas singulares, mas nenhuma para ser seguida. Elas experimentaram ser elas mesmas.  Assim, por favor, não se inspire em mim; caso contrário você nunca se tornará uma fonte de inspiração. Você será apenas uma cópia carbono, você não terá a sua autêntica e original face. Você será um hipócrita: você dirá uma coisa e fará outra. Você mostrará a sua face em situações diferentes com máscarasdiferentes, e aos poucos você se esquecerá qual é a sua face verdadeira; são tantas máscaras... Ouvi contar sobre um homem... Cem anos haviam se passado desde que Abraão
Lincoln havia morrido baleado, de modo que por todo aquele ano foi organizada uma grande celebração em sua homenagem por toda a América. Um homem parecia com Abraão Lincoln; apenas uns pequenos toques aqui e ali e ele era quase uma cópía fotográfica do Abraão Linco. Ele foi treinado para falar da maneira que Abraão Lincoln costumava falar, com seus gestos, sua ênfase, seu sotaque, tudo, os pequenos detalhes – mesmo a maneira dele caminhar – vinte quatro horas por dia... E ele tinha que representar essa peça teatral da vida de Abraão Lincoln por todo o país, indo de um lugar a outro, o ano todo. Ele foi baleado e morreu muitas vezes, todas as noites em todas as apresentações; algumas vezes, até duas vezes por dia. Aquele foi um longo ano – ele morreu muitas vezes – e a sua participação na peça tornou-se quase a sua segunda natureza. E então, quando as celebrações terminavam, as pessoasficavam surpresas: ele deixava o palco caminhando da mesma maneira que Abraão Lincoln costumava caminhar – ele mancava um pouco. Ele estava mancando. Sua esposa lhe dizia: 'Volte aos seus sentidos!', porque ele estava falando daquela mesma maneira, com aquele sotaque de cem anos atrás. Sua esposa dizia, 'Não prolongue a brincadeira em demasia. Simplesmente volte ao seu eu verdadeiro e vamos para casa.'  Ele dizia, 'Eu sou o meu verdadeiro eu, eu sou Abraão Lincoln.' Continuamente por um ano ele viveu como Abraão Lincoln, ele morreu milhares de mortes como Abraão Lincoln; ele esqueceu completamente que ele era uma outra pessoa. Levaram-no a um médico. O médico conversou com ele, mas ele ainda estava em seu papel teatral. O médico lhe disse, 'simplesmente esqueça essa peça teatral.' O homem disse, 'que peça?' O médico voltou-se para a sua esposa e disse, 'esse homem não escutará, a não ser que ele seja baleado.' A familía ficou enlouquecida. Ele perdeu seu trabalho e ninguém queria tratá-lo, pois ele não estava doente. Ele estava simplesmente grudado a uma máscara. Um ano é um longo tempo, e todos os dias, vinte e quatro horas por dia, ele era Abraão Lincoln. Ser Abraão Lincoln por um ano e então, de repente, tornar-se um ser humano comum – quem gostaria disso? Ele viu os dias gloriosos, osdias dourados e agarrou-se firmememente a eles. Aquele homem viveu alguns anos como Abraão Lincoln; ele costumava assinar 'Abraão Lincoln' exatamente do mesmo jeitoque Abraão Lincoln costumava assinar. Você diria que esse homem alcançou alguma coisa ou perdeu? Ele perdeu a si mesmo, e o que ele ganhou foi apenas um ato numa peça teatral. Ele tornou-se totalmente falso. E esta é a situação de quase todos no mundo – não tão dramática, nem tão fora de série, mas todo mundo está representando um certo papel que lhe foi ensinado, para o qual foi educado. Uma criança nasce – ela não é cristã, nem judia, nem muçulmana – e então nós começamos a lhe colocar uma máscara. Sua face inocente desaparece. Ele morrerá acreditando que é cristã. Assim, não ria daquele pobre homem que morreu acreditando ser Abraão Lincoln, porque todo mundo estáfazendo o mesmo. Pessoas estão morrendo como hinduístas – elas não nasceram hinduístas. Isso sempre foi um problema permanente para mim, quando havia censo. O recenseador vinha a mim para preencher o formulário e quando chegava na religião eu dizia, 'eu não tenho religião alguma'. Ele ficava chocado, mas dizia, 'você deveter nascido em alguma religião. Seus pais devem ser hinduístas, muçulmanos, jainistas.' Eu dizia, 'isso não faz qualquer diferença. Meu pai pode ser um médico ou engenheiro – isso não fará de mim um médico ou um engenheiro. Ele pode ser um hinduísta ou um muçulmano – isso é um assunto dele. Ele não pode biologicamente transferir sua religião para mim. Se ele não pode transferir seu conhecimento médico para mim, como ele poderia transferir o seu conhecimento espiritual? Isso é uma fraude e eu não quero participar de qualquer fraude.' As pessoas estão sendo treinadas como atores; em todo este vasto mundo você encontrará todas as pessoas representando papéis. Todo mundo é educado para encenar... Belos nomes – etiquetas, boas maneiras – mas por trás, escondido, está uma psicologia sutil para fazê-lo esquecer a sua originalidade e absorver algum papel que os interesses ocultos querem que você seja. Nunca se inspire em alguém. Permaneça aberto. Quando você vir um belo pôr do sol, desfrute a beleza dele; quando você vir um Buda, desfrute a beleza do homem, desfrute a autenticidade do homem, desfrute o silêncio, a verdade que o homem alcançou, mas nunca se torne um seguidor. Todos os seguidores estão perdidos. Permaneça você mesmo – porque essehomem Goutama Buda encontrou porque permaneceu ele mesmo. E todos esses belos nomes – Lao Tzu, Chuang Tzu, Lieh Tzu, Bodhidharma, Nagarjuna, Pitágoras, Sócrates, Heráclito, Epicuro – todos esses belos nomes, que têm sido uma grande inspiração para muitas pessoas, foram eles mesmos e nunca se inspiraram em alguém. Foi assim que eles protegeram as suas originalidades; foi assim que eles permaneceram eles mesmos. Eu estive com mestres e os amei. Mas, para mim, o próprio desejo de ser como eles é feio. Um homem é o bastante; um segundo comoele não irá enriquecer a existência, irá apenas sobrecarregá- la. Para mim a singularidade dos indivíduos é a verdade maior. Ame as pessoas quando encontrá-las florescendo em alguma dimensão verdadeira e autêntica. Mas lembre-se que elas estão florescendo por causa da autenticidade e originalidade delas; assim esteja atento paranão cair na armadilha de segui-las. Seja você mesmo. A famosa máxima de Sócrates é: 'conheça a si mesmo'. Mas ela deveria ser completada – ela não está completa. Antes de 'conheça a si mesmo', uma outra máxima é necessária, 'seja você mesmo'; caso contrário você pode conhecer apenas algum ator que você está fingindo ser. Conhecer a si mesmo vem em seguida; primeiro é ser você mesmo. Os verdadeiros grandes mestres têm sido apenas amigos, uma mão que ajuda, dedos apontando para a lua; eles nunca criaram uma escravidão. Mas no momento em que eles morreram, eles deixaram um impacto tão grandeao seu redor que as pessoas espertas – os teólogos, os sacerdotes, os eruditos – começaram a pregar às pessoas, 'Sigam Goutama Buda.' Agora o homem está morto e ele não pode negar coisa alguma... E essas pessoas começam a explorar o grande impacto que Buda deixou. Agora toda a Ásia, milhões de pessoas por vinte e cinco séculos têm seguido os passos de Goutama Buda, mas nem um simples Goutama Buda foi criado. Isso é prova bastante: dois mil anos e nem um simples Jesus novamente; três mil anos e nem um simples Moisés novamente. A existência nunca repete. A história se repete porque a história pertence ao inconsciente coletivo. A existência nunca repete a si mesma. Ela é muito criativa e muito inventiva. E isso é bom; caso contrário, embora Goutama Buda seja um belo homem, se houvesse milhares de Goutama Buda por aí – se em qualquer lugar que você fosse, encontrasse um Goutama Buda, em todos os restaurantes – você iria ficar realmente entediado e cansado. Isso iria destruir toda a beleza do homem. É bom que a existência nunca repita. Ela só cria um de cada tipo, assim ele sempre permanece raro.
Você também é um de um tipo. Você apenastem que desabrochar, abrir suas pétalas e liberar a sua fragrância. "

Osho.

domingo, 5 de agosto de 2012

Você já se pegou pensando sobre o que você é, porque está aqui e qual  seu destino, pois bem, encontrei esse texto muito interessante que no mínimo nos faz pensar.

 

A ORIGEM DA SEPARAÇÃO.

1. Estender-se é um aspecto fundamental de Deus, que Ele deu a Seu Filho. Na criação, Deus estendeu-Se  às Suas criações e as imbuiu da mesma Vontade amorosa de criar. Tu não só foste plenamente criado,  como foste criado perfeito. Não há nenhum vazio em ti. Devido à tua semelhança com o teu Criador, és criativo. Nenhuma criança de Deus pode perder essa capacidade porque é inerente ao que ela é, mas pode usá-la de maneira imprópria através da projeção. O uso impróprio da extensão, ou projeção, ocorre quando acreditas que existe em ti algum vazio ou alguma falta e que podes preenchê-lo com as tuas próprias idéias em vez da verdade. Esse processo envolve os seguintes passos:

Primeiro, acreditas que o que Deus criou pode ser mudado pela tua própria mente.

Segundo, acreditas que o que é perfeito pode ser tornado imperfeito ou falho.

Terceiro, acreditas que podes distorcer as criações de Deus, inclusive a ti mesmo.

Quarto, acreditas que podes criar a ti mesmo e que a direção da tua própria criação depende de ti.

2. Essas distorções interligadas representam um retrato do que de fato ocorreu na separação, ou seja, o “desvio para o medo”. Nada disso existia antes da separação nem, de fato, existe agora. Tudo o que Deus criou é como Ele. A extensão, como foi empreendida por Deus, é similar à radiância interior que as crianças do Pai herdam Dele. Sua fonte real é interna. Isso é tão verdadeiro em relação ao Filho quanto em relação ao Pai. Nesse sentido, a criação inclui tanto a criação do Filho por Deus quanto ascriações do Filho quando a sua mente está curada. Isso requer que Deus tenha dotado o Filho com livre arbítrio, porque toda a criação amorosa é dada livremente em uma linha contínua, na qual todos os aspectos são da mesma ordem.

3. O Jardim do Éden, ou a condição anterior à separação, era um estado da mente no qual nada era necessário. Quando Adão deu ouvidos às “mentiras da serpente”, tudo o que ouviu não era verdade. Não tens que continuar a acreditar no que não é verdadeiro, a não ser que escolhas fazê-lo. Tudo aquilo pode literalmente desaparecer num abrir e fechar de olhos porque é apenas uma percepção equivocada. O que é visto em sonhos parece ser muito real. No entanto, a Bíblia diz que um sono pesado caiu sobre Adão e não há, em parte alguma, referência ao seu despertar. O mundo ainda não experimentou nenhum despertarou renascer em escala absoluta. Tal renascimento é impossível enquanto continuares a projetar ou criar equivocadamente. Contudo, a capacidade de estender assim como Deus estendeu a ti o Seu Espírito permanece ainda dentro de ti. Na realidade, essa é a tua única escolha porque o teu livre arbítrio te foi dado para a tua alegria em criar o que é perfeito.

4. Todo medo, em última instância, é passível de ser reduzido à básica percepção equivocada de que tens a capacidade de usurpar o poder de Deus. Obviamente, não podes, nem tens sido capaz de fazer isso. Aqui está a base real para escapares do medo. O escape é efetuado pela tua aceitação da Expiação, que faz com que sejas capaz de reconhecer que os teus erros realmente nunca ocorreram. Só depois que um profundo sono caiu sobre Adão, pôde ele vivenciar pesadelos. Se uma luz subitamente se acende enquanto alguém está sonhando um sonho amedrontador, ele pode inicialmente interpretar a própria luz como parte do seu sonho e ter medo. Todavia, quando acorda, a luz é percebida corretamente como a liberação do sonho, ao qual já não mais se confere realidade. Essa liberação não depende de ilusões. O conhecimento que ilumina não só te põe em liberdade, mas te mostra também claramente que tu és livre.

5. Quaisquer que sejam as mentiras em que possas acreditar, não concernem ao milagre, que pode curar qualquer uma com a mesma facilidade. Ele não faz distinções entre percepções equivocadas. A única coisa que concerne a ele é distinguir a verdade de um lado e do outro o erro. Alguns milagres podem aparentar maior magnitude que outros. Mas lembra-te do primeiro princípio deste curso: não há nenhuma ordem de dificuldades em milagres. Na realidade, tu és perfeitamente intocável por todas as expressões de falta de amor. Essas podem vir de ti e de outros, de ti para os outros e dos outros para ti. A paz é um atributo em ti. Não podes achá-la do lado de fora. A enfermidade é alguma forma de busca externa. A saúde é paz interior. Ela te permite permanecer imperturbado pela falta de amor externo e ser capaz, através da tua aceitação dos milagres, de corrigir as condições resultantes da falta de amor nos outros.